Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Era uma vez uma traça...

Era uma vez uma traça que gostava muito de livros. Muito mesmo, de não conseguir passar um dia longe deles. A traça lia sem parar o tempo todo, centenas de páginas por dia. E era povoada de sonhos, palavras, frases, idéias. Então a traça, sem dar-se conta, sem ter como nem por que, foi parando de ler. Era uma coisa aqui para fazer, outra ali para distrair-se, uma preguiça, cansaço. E as palavras foram-se perdendo dela no caminho. E quando a traça deu-se conta estava magra, como um retirante sem pão. As palavras não estavam mais. E sem palavras não há frases, não há idéias e muito dificilmente há sonhos. E a traça viu-se perdida num deserto de areia. As letras lhe escapavam como os grãos descendo pela fenda de uma ampulheta. E não havia idéias, nem água, nem coisa alguma além de areia, escaldante e seca. E a traça deitou ao sol e já ia adormecendo de exaustão e preguiça naquele calor. Teimosa, levantou-se e andou mais uns passos, duas, três palavras, uma frase por dia. Um capítulo por semana. E assim foi voltando a ler. Um livro por mês. Bem, o livro que ela estava lendo tinha bem mais de quatro capítulos, então demorou um pouco mais. Mas as palavras foram preenchendo o deserto, caindo sobre ela como água que cai do céu em dia de chuva. O calor foi passando. E de repente, como um raio de sol que aparece entre as nuvens, incide sobre o ponto mais bonito da paisagem e mostra nele o pote de ouro no fim do arco-íris, as idéias voltaram. E num instante a traça ressecada encharcava-se de sonhos. Sonhos pequenininhos, palavras tímidas que ainda não formavam frases. Um livro se passou até a metade, em doses de conta-gota, até que a traça tomou coragem, pegou a pena, fez algumas frases ao acaso e voltou a escrever. E já era a traça de novo, gorda e cheia de sonhos, idéias, palavras e frases. Quem sabe um dia até cheia de livros, livros dela, escritos e não apenas lidos.

 

Esta traça está de volta!


sinto-me:
música: Enquanto houver sol - Titãs

publicado por Mi às 00:56
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
"Que se eu tivesse um único desejo agora, este seria o último livro a ser queimado em minha cidade"

Acabei ainda agora de ler "As memórias do livro", de Geraldine Brooks. O estilo de escrita, simples, cuidadoso e bonito, torna a leitura deliciosa. A história é incrível. Indescritivelmente cheia de sabores, sensações e emoção. É o que diferencia um simples livro de uma obra de arte literária. Não são apenas palavras jogadas ao acaso. A vida está ali, parecendo querer saltar do papel a qualquer momento. Pode-se ouvir o eco dos passos dos soldados aliados dos nazistas na Sarajevo da Segunda Guerra. Pode-se ver o movimento colorido das ruas da Veneza do séculos XVI. A certo ponto, ouvem-se claramente os gritos de mais um inocente torturado pela Inquisição. Então surgem os pigmentos dos artistas da Sevilha do fim do século XV, uma terra incrível onde cristãos, judeus e muçulmanos conviviam em uma harmonia que parece impossível aos extremistas exaltados dos dias de hoje.

 

Todos aqueles que já experimentaram o gosto de deslizar um pincél sobre uma tela ficam com vontade de esperimentar pincéis feitos de pena e pêlo de gato persa, de misturar aqueles pigmentos raros para obter cores impossivelmente reais, tão diferentes das tintas acrílicas e artificiais de hoje. Aqueles que têm uma queda por línguas antigas sentem um desejo incontrolável de aprender hebraico, árabe, até persa, para poder tomar parte nos mistérios desenvolvidos ao longo da história.

 

De repente deu-me uma saudade louca dos meus alquimistas-químicos medievais. Dos intelectuais obstinados que insistiam em defender idéias proibidas porque estavam absolutamente certos de sua veracidade. É o meu mundo. É a carreira que quero seguir.

 

Mais que produzir algo novo, conservar aquilo que já existe para que outros possam ver. Ouvi durante toda a faculdade que de toda a cultura humana produzida, apenas uma porcentagem ínfima sobrevive à geração que a produziu. Muito é queimado como lixo inútil, apodrece em depósitos esperando que um dia alguém perceba a riqueza que jaz entre colônias de fungos, poeira, umidade e traças. Outro tanto é destruído por pessoas inescrupulosas, amargas o bastante para cometer a atrocidade imperdoável de queimar um livro.

 

Temos tão pouco daqueles que vieram antes, daqueles que de certa forma fizeram de nós o que somos hoje. Entender o passado para explicar o presente. Estudar o que a humanidade foi para saber de onde viemos e como chegamos ao ponto em que estamos. Independente de corrente ideológica e de todas essas coisas que mais complicam que explicam, essa é a minha noção de história. É o que me faz querer passar a maior parte do dia, de todos os dias da minha vida, com o nariz enfiado em livros empoeirados enquanto as mãos cobertas de luvas reclamam do calor e os olhos vão ficando pequenos por causa da iluminação parca para não danificar o que foi escrito no papel. É o que me faz querer estudar química, quando não tenho qualquer noção, por vaga que seja, dessa área.

 

Foi o que me deixou com os olhos úmidos quando terminei o livro. Essas histórias de livros queimados sempre mexeram comigo. Nós passamos. Nossa vida não é mais que um fio de linho esticado prestes a ser cortado por uma tesoura impiedosa. Mas os livros ficam. Eles dão testemunho de nossas idéias, eternizam as pessoas mais do que qualquer outra coisa no mundo. Quando um livro é salvo não apenas a pessoa que o escreveu sobrevive para a eternidade, mas todo o mundo em que ela vivia, as concepções, as idéias, os sentimentos. Queimar um livro é a pior atitude que alguém pode ter. É imperdoável.

 

A frase citada no título deste post é uma das falas do personagem Ozrem Karaman (As memórias do livro, p. 379). O livro ao qual ele se refere não foi queimado afinal.


sinto-me:
música: Adia - Sarah McLachlan

publicado por Mi às 03:12
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009
Deu-me saudades...

...de escrever por aqui. Sempre que Dona Inspiração sai de férias e minha mente parece um caderno em branco onde até a pauta esqueceu de ser traçada sinto falta dos meus blogs. Gosto de chegar em silêncio, espanar a poeira acumulada e arrumar algumas palavras pelo simples prazer de ver as frases concluídas.

 

Ano passado sumi porque estava terminando a faculdade e com estágio e trabalho de conclusão de curso às vezes não lembrava nem de comer, que dirá de postar no blog. A faculdade terminou e eu, que ia tirar um tempo para descansar e colocar as idéias em ordem, arrumei uma bela sarna para me coçar. Ando trabalhando com artesanato em um regime de sem-escravidão. Ou escravidão completa, considerando que os escravos do Brasil-colônia trabalhavam em média 16 horas por dia e eu às vezes trabalho 18.

 

Adoro artesanato. É recompensador. Uma massagem para o ego ver que se é capaz de fazer coisas lindas e complexas, pegar pedacinhos de tecido e transformar em obras de arte. Mas quando só se faz isso o dia todo, a semana toda, por meses e meses, a coisa começa a ficar complexa.

 

Minha vida estacionou em algo que devia ser um passatempo, não um meio de vida. Não consigo estudar direito, não tenho tempo para ler as pilhas de livros que fui comprando durante a faculdade para ler quando terminasse o curso, até conseguir prosseguir os estudos. Raramente sei o que é um fim de semana ou um dia de descanso. E o pior de tudo: as contas aumentam ao invés de diminuir. Ou será que é o dinheiro que some?

 

Numa situação dessas é fácil entender porque Dona Inspiração saiu de férias e não consigo escrever. Não há tempo. Simples assim.

 

O problema todo começa na falta de tempo para ler. Bons leitos são bons escritos, isso é fato comprovado. A boa escrita não sai do nada. Assim como a água precisa ser desenterrada do fundo da areia para surgir no deserto, as idéias precisam de palavras para se tornarem histórias. Palavras que só podem ser encontradas em outras histórias. Não nos programas de TV, nem nos jornais banais e péssimamente escritos de uma cidade interiorana, não em conversas ainda mais banais com pessoas sem ilusões ou grandes sonhos.

 

Não acredito que dinheiro faça dinheiro, mas acredito que literatura faz literatura. O problema se torna crônico quando não há tempo de ler. As palavras somem todas e tudo aquilo que se tenta escrever parece tão ruim quanto o texto cheio de erros ortográficos do jornal de ontem ou a novela cliche que repete o velho enredo com personagens diferentes pela enésima vez.

 

Na falta das palavras de autores mais sábios e inspirados que eu, venho aqui jogar ao vento as poucas palavras que me sobraram. E deixar manifesta a outorgação da minha liberdade. Oficialmente, o regime de trabalho escravo acaba hoje. Porque só vivemos uma vez (até que alguém prove cientificamente o contrário ou volte do além para me contar que lá existe e como é). Porque ninguém merece passar a vida com o nariz enfiado na máquina de costura fazendo coisas para os outros. Porque dinheiro nenhum no mundo vale tanto quanto os momentos de felicidade que estou perdendo ou quanto minha satisfação intelectual (sim, meu ego é maior que minha ambição). Porque idéias só têm valor quando lutamos para torná-las realidade e não se pode lutar se não se tem tempo para isso.

 

Porque toda folha em branco deve ser preenchida com palavras e há muitas folhas em branco aqui por casa. Porque situações desesperadas exigem medidas desesperadas.

 

Au revoir.


sinto-me:
música: Haja o que houver - Madredeus

publicado por Mi às 08:20
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 25 de Novembro de 2008
Há exatos quatro meses...

...tudo parecia frio e escuro. Meus sonhos tinham ido quase todos de férias para longe, afugentados por um final de faculdade conturbado e por inúmeros trabalhos surgidos de repente detrás de uma curva na estrada, que eu não contava ter que fazer.

 

Hoje tudo ainda parece frio e escuro lá fora. As coisas andam tão apressadas que parecem um esboço surreal de algum pintor maluco que teve um surto psicótico e atirou todas as latas de tinta sobre a tela de uma vez antes de correr apressado e se jogar da janela. Nem consigo processar direito as leituras que estou fazendo para terminar a monografia. JK fez "cinqüenta anos em cinco" no Brasil. Eu estou fazendo "setenta páginas em sete dias" por aqui.

 

Contudo, desde o dia 25 de julho deste ano do senhor de 2008, a bem-aventurança de um amor correspondido têm iluminados os meus dias. Lá fora, está tudo frio e escuro. Lá fora. Aqui dentro, a luz de teus olhos castanhos iluminam meus dias e a expectativa do calor do teu abraço me aquece. Todos os meus sonhos agora repousam junto a ti. Há exatos quatro meses sou a pessoa mais feliz do mundo por te amar e por me amares de volta. E a doçura desse amor me dá forças para seguir correndo. Não para a janela da qual se atirou o pintor maluco. Mas na direção dos teus braços.

 

À minha princesa dedico um poema. Desta vez não é de um poeta conhecido por sua genialidade e pela perfeição e beleza de seus versos. É de uma poetisa apaixonada que não leva lá muito jeito para a coisa. Receba estes versos humildes, ensaiados na presença de tua lembrança, com todo meu amor e com a certeza de que logo estaremos juntas, não só em espírito, mas também em presença.

 

À minha princesa

 

quero ouvir o silêncio dos teus beijos

pular no abismo dos teus olhos

e cair nas nuvens do teu abraço

 

quero gritar às estrelas que te amo ao infinito

e sussurrar ao vento mensagens para ti

 

quero sentir o mundo através de teus toques

seguir as pegadas que tu deixaste na poeira do tempo

e voar num pombo correio pela distância que está entre nós

 

quero estreitar-te nos meus braços

e estar sempre contigo

 

 

PS: é simples, bobinho e um tanto brega, mas é de coração, amore! Feliz quatro meses de namoro! Te amo muito muito muito mesmo! Conhecer você e estar ao seu lado foram as melhores coisas que já me aconteceram!

 

Bjinhos, da sua namorada grudenta,

 

Mi.

 

 


sinto-me: very happy in love
música: have you ever been in love - Celine Dion

publicado por Mi às 04:47
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 26 de Outubro de 2008
Soneto XXIII - Pablo Neruda

Foi luz o fogo e o pão a lua rancorosa,

o jasmim duplicou seu estrelado segredo,

e do terrível amor as suaves mãos puras

deram paz a meus olhos e sol a meus sentidos.

 

Oh amor, como de repente, dos rasgos

fizeste o edifício da doce firmeza,

derrotaste as unhas malignas e zelosas

e hoje diante do mundo somos como uma só vida.

 

Assim foi, assim é e assim será até quando,

selvagem e doce amor, bem-amada Matilde,

o tempo nos assinale a flor final do dia.

 

Sem ti, sem mim, sem luz já não seremos:

então, mais além da terra e a sombra

o resplendor de nosso amor seguirá vivo.

 

Por nossos três meses de namoro - os três meses mais felizes e maravilhosos da minha vida - dedico este soneto do nosso poeta à minha bem-amada. Que estes três meses se tornem três anos e se multipliquem até atingirem a eternidade. E que em breve a distância física que nos separa se converta em nada e possamos estar juntas completamente. Je t'aime, pour toujours.

 


sinto-me: very happy in love
música: Until I met you - Paula Cole

publicado por Mi às 00:22
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 12 de Outubro de 2008
Soneto CXVI

 Que não admita eu ao casamento de verdadeiras mentes

Impedimento algum. Aquele amor não é amor

 Que se altera ao encontrar alteração,

Ou se dobracom a retirada do retirante:

Ah, não; é uma marca para todo sempre fixa,

Que encara tempestades e jamais se altera;

É a estrela de todo o barco que se aventura,

Cujo valor não se engana com o Tempo, apesar de lábios e rostos rosados

 Estarem dentro do compasso de sua foice curva;
O amor não se altera com suas breves horas e semanas,

 E a tudo agüenta até a beira do fim-do-mundo.

Se isso estiver errado, e que me o provem,

Eu nunca escrevi nada, nem ningém jamais amou.

 

 

Dedico esse soneto de Shakespeare à minha princesa encantada. Porque ela me fez acreditar que nenhuma distância é grande o bastante quando o amor é verdadeiro. Porque nos amamos. Porque ela é a luz da minha vida.


sinto-me: very happy in love
música: Sempre - Elisa

publicado por Mi às 22:50
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
Para meu amor...

Certa vez encontrei na biblioteca pública um livro de poemas que se chamava "A primaveira floresceu no inverno". Hoje à tarde, sentindo o perfume das madressilvas do jardim invadir a sala e vendo algumas pétalas de flor de cerejeira adentrarem pela janela trazidas pelo vento, lembrei-me deste livro. Não sei se a primavera resolveu florescer no inverno ou se o inverno resolveu ir embora mais cedo. O fato é que o mundo já está colorido e os últimos vestígios do inverno vão sumindo rapidamente dia após dia.

 

São essas pequenas coisas que nos impedem de entrar em colpaso quando tudo parece estar contra nós. Quando a implacável Lei de Murphy decide que é um bom dia para nos atrapalhar a vida justo porque as coisas já estão bastante complicadas do jeito que estão.

 

Vou começar o estágio de docência no Ensino Médio sexta-feira e até hoje de tarde não tinha nem um plano de ensino concluído nem uma aula sequer preparada. A culpa não foi minha desta vez. Minha internet entrou em crise e já não funciona como deveria a quase três meses e eu precisava dela para pegar as imagens e alguns textos que usaria nas aulas.

 

Eram vários os motivos para que eu tivesse um surto nervoso e mandasse meio mundo pro inferno - o que por pouco não fiz. Esse pouco nada verdade é tudo. O perfume das flores e uma música no rádio da vizinha me fizeram sorrir o dia inteiro, por lembrar (o que nunca esqueço) que há um mês e alguns dias estou namorando a pessoa mais maravilhosa do mundo.

 

Em 25 de agosto completamos um mês. Teria tudo para ser um dos piores meses da minha vida, esse semestre todo está sendo bastante complicado, com final de faculdade, estágio e monografia. Contudo, este foi o melhor mês da minha vida. Só seria melhor se não fossem todos esses quilômetros entre nós duas.

 

Não se posso dizer que lembrei muito dela hoje, já que nunca a esqueço. Nem preciso fechar os olhos para lembrar do timbre de sua voz, de seu rosto que por enquanto só conheço por fotografia. Imagino qual será a textura de sua pele, de seus cabelos e invejo o vento por poder tocá-la enquanto eu não posso. Conto os segundos para encontrá-la e rezo para que eles passem rápido.

 

Ainda tenho um pouco de medo, causado em parte pela inexperiência. É tudo muito novo. Ela me deixa sem chão e ao mesmo tempo me dá um porto seguro. Não conheci o amor verdadeiro até ela entrar na minha vida. Ela me conquistou aos pouquinhos e quando dei por mim estava apavorada por amar tanto alguém e por pensar que tinha tão poucas possibilidades de ser correspondida. Mas ela me corresponde e sou a pessoa mais feliz do mundo por estar ao lado dela - mesmo distante, por enquanto.

 

Uma das minhas aulas do estágio foi preparada em cima de um trecho da Divina Comédia, de Dante. Passei umas longas horas folheando o livro, procurando o trecho mais adequado ao que eu pretendia. Reli várias cenas deste texto que de certa forma vem acompanhando nossa história. Lembrei de muitas conversas que tivemos, quando não sabíamos dos sentimentos uma da outra e tentávamos nos convencer mutuamente de que um dia encontraríamos um amor verdadeiro. Ela sempre dizia que queria encontrar sua Beatriz um dia, um amor como o que Dante tivera, que durou a vida toda, mesmo ele só tendo visto sua amada umas poucas vezes. Uma outra música me fazia companhia nestas ocasiões: Beatriz, da Ana Carolina. Ouvindo essa música, eu tentava convencer-me a não pensar no quanto queria ser a Beatriz dessa pessoa tão especial.

 

Felizmente, o coração não nos obedece. Se obedecesse, eu seria imensamente mais triste e veria as coisas com muito menos cores do que vejo hoje. Eu teria esquecido e deixado de viver um grande amor por medo de perder uma grande amizade.

 

Já que meu coração foi teimoso, quero sorrir, sonhar, fazer planos para o futuro e continuar contando os segundos para estar com ela. Hoje, queria dizer que a amo, incondicionalmente. Ela é minha Beatriz, minha Julieta, minha Branca de Neve; minha princesa e a pessoa com quem quero dividir o resto da minha vida. Nunca pensei que fosse pensar em envelhecer ao lado de alguém, pensar em  ter uma casa com jardim pra morar com essa pessoa, pensar em fazer enxoval e ter uma família. Agora eu penso e estou muito feliz com isso.

 

Então... a essa pessoa especial, feliz um mês de namoro (e que esse mês se repita por muitos e muitos e muitos anos ainda) e obrigada por fazer de mim a pessoa mais feliz do mundo.  Pegando emprestada uma frase de um poema do Neruda: aqui eu te amo (mas meu coração está aí com você).


sinto-me: happy in love
música: Encostar na tua - Ana Carolina

publicado por Mi às 05:49
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 29 de Julho de 2008
Contos Inacabados

Andei a ler uns contos inacabados de Tolkien por aqui. As palavras do professor despertam em mim um  não sei quê doce e cítrico. Uma lembrança distante, um vislumbre rápido de algo que nunca vi, o som de uma palavra inventada extremamente real. E uma vontade doentia de escrever. Econtro em suas palavras traços perdidos de mim mesma, lembranças esquivas da infância, sensações que deixaram sua marca indelével e por vezes voltam a causar arrepios em tardes de vento forte. Alguns trechos são como espelhos. Outros são bosques escuros repletos de familiaridade. E, por fim, submersa em descrições precisas e fascinantes, acabo sempre lembrando de duas passagens de O Senhor dos Anéis:

 

"É perigoso sair porta afora, pois quando você pisa na estrada, se não controlar seus pés, não há como saber até onde eles podem levá-lo."

 

Bilbo Bolseiro

 

"Tudo o que temos que decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado."

 

 Gandalf

 

 

 

PS: a quem interessar possa, o conto que inspirou-me estas palavras chama-se A Estrada Perdida, e está disponível aqui.


sinto-me: very happy in love
música: Into the west - Annie Lennox

publicado por Mi às 06:21
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 26 de Julho de 2008
Aqui eu te amo...

Não faço idéia de como estava o tempo ontem. Passei o dia com os olhos fixos em uma pilha de livros e na tela do computador. A bendita introdução da monografia está rascunhada, falta apenas o parágrafo final, que ainda estou a procurar. Creio que fez sol, vez por outra deu-me a impressão de ver raios de luz dourada bruxuleando entre as frestas da cortina de renda da sala.

Foi um dia cansativo que não pretendia ter nenhuma expectativa de novidade. Apenas mais um dia em Lugar Nenhum. E, então, foi que de madrugada a mágica se fez.

Certo dia a muito, muito tempo atrás, meu coração virou pedrinha. A pedrinha era de gelo. E o gelo derreteu. Foi derretendo aos poucos, graças a um milhão de estrelas que entraram na minha vida numa tarde de inverno em que o fundo do poço parecia incrivelmente próximo de mim. As palavras dela tocaram meu coração de um jeito especial, como coisa alguma antes havia feito. Foram palavras doces, tal qual o perfume das flores na primavera, e salgadas, com o gosto de lágrimas serenas e ternas que descem pela face de quem encontra um motivo para escalar as paredes escuras do poço e voltar à superfície.

Não sei exatamente quando foi que aconteceu. Ou melhor, sei que foi acontecendo. Ela entrou em meu coração aos poucos, conquistou-me aos pedacinhos. Encantei-me primeiro por seu jeito de escrever, depois por seu jeito de ser, de agir, de pensar. Encantei-me por todas as suas qualidades e, igualmente, por todos os seus defeitos. Encantei-me pelo mundo que lentamente ela foi compartilhando comigo, pela confiança que foi depositando em mim.

Tal como uma fadinha roxa, ela enfeitiçou-me e quando dei por mim, era o mais importante na minha vida. Era tudo e era nada. Tudo o que eu precisava. Nada do que eu pudesse abrir mão. De repente, meu coração começou a ficar inquieto à espera de sua presença. Um coração ainda levemente ferido que exultava cada vez que a via aparecer.

Eu a amei em segredo, sem saber de verdade que a amava. Tentei inutilmente convencer-me que era apenas uma grande, enorme, imensa amizade o carinho que sentia por ela. Tinha medo de arriscar tudo e ficar sem nada. Tinha medo de admitir o que sentia e levar um solene “pé na bunda”, como já acontecera antes. A diferença é que nunca antes gostei de alguém como gosto dela.

Não posso imaginar a vida sem este um milhão de estrelas que torna meu mundo mais claro e bonito, que sempre tem as palavras certas para me dizer, que atura meu gênio do cão, que está sempre ao meu lado, mesmo quando nem eu mesma me suporto, que divide sua vida e seus segredos comigo como eu divido os meus com ela.

O que faria se ela não sentisse o mesmo e deixasse de falar comigo? A resposta é simples: cairia no fundo do poço do fundo do abismo e nunca mais teria vontade de sair de lá. É, sou dramática, exagerada, sem noção, egoísta, possessiva, grudenta, melosa e brega. E apesar de todos estes pesares – e de meia dúzia de outros mais –, ela me ama também.

Até agora não entendo como foi que aconteceu. Uma leve sensação de incredulidade ainda paira no ar. Um leve tremor ainda permanece em cada célula do meu corpo. De repente, senti-me como um salgueiro-chorão tremendo ao sabor de um delicioso vento de tempestade. O chão sumiu. Fui ao céu e creio que ainda estou lá. As palavras me fogem e não consigo colocar nexo nas frases. O amor tem sua lógica própria, uma lógica de conto de fadas e pequenas loucuras.

Sinto um calor gostoso na boca do estômago, uma sensação de borboletas batendo as asas sob o vento quente do deserto. Estou a sorrir feito boba e a ainda tremo ao pensar que ela me ama. Estou tão exultante que mal consigo caber em mim! Ela faz lembrar-me dos poemas de Pablo Neruda, das asas coloridas de uma borboleta em vôo suave. Ela lembra-me um vento de tempestade, que agora sussurra-me docemente um “eu te amo”. Ela é parte de mim assim será para sempre.

Engraçado como pouco antes de tudo acontecer, falávamos sobre o sentimento de viver na época errada e no lugar errado. Agora já não sinto assim. Sinto que vivo na época certa, no lugar ligeiramente certo – ligeiramente porque alguns quilômetros de estradas, cidades e campos ainda nos separam (ainda, mas não para sempre, nem por muito tempo). Engraçado como a pessoa certa estava o tempo todo muito mais perto do que pensávamos, para nós duas. Ainda me parece que saltei para as páginas de um livro. Estou a viver um conto de fadas.

E foi assim que um dia que começou como apenas mais um dia tornou-se o dia mais especial da minha vida. Tão somente porque ela me ama. Tão somente porque amo e sou correspondida.

 


sinto-me: Very Happy in Love
música: Right Next to the Right One - Celine Dion

publicado por Mi às 06:51
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 12 de Julho de 2008
Diálogo com Dona Inspiração

E de repente, aquela moça de cabelos longos e ondulados, ora louros, ora castanhos, saltou detrás de um tronco enrugado de árvore velha e deixou ver seu belo rosto e os olhos cor de mar. Seus lábios moveram-se em palavras silenciosas que queriam dizer: escreve, não importa se as palavras perderam-se no caminho, escreve apenas; joga fora o vinho azedo e principia novamente, esquece o que já existe se não mais te serve.

 

E lá fui eu seguir Dona Inspiração, essa moça caprichosa e bonita que aparece quando quer, diz-me uma porção de sandices e vai embora sem dar satisfação. Estou sempre  a segui-la e ela está sempre a fugir de mim. Quando penso em desistir, ela deixa-se ver, faz-me provar o gosto doce de suas palavras, dá-me uma meia dúzia de boas idéias, umas frases bonitas e então volta a esconder-se, a correr por entre as árvores retorcidas pelo vento. E vou novamente atrás dela. Sem Inspiração não há escrita e sem escrita não existo.

 

E de repente, deu-me vontade de ler "E o vento levou...".

 


sinto-me: perdida outra vez
música: Alone Together - Rufus Wainwright

publicado por Mi às 03:55
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

.mais sobre mim
.pesquisar neste blog
 
.Fevereiro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28


.Fazer olhinhos
.tags

. .devaneios de uma aspirante a escritora

. .diálogos com dona inspiração

. .escritos pessoais

. .filosofias de uma traça de biblioteca

. .folhas ao vento

. .frase do dia

. .inutilidade pública

. .memórias de lugar nenhum

. .para meu amor

. .retratos da humanidade

. .versos

. todas as tags

.arquivos

. Fevereiro 2010

. Maio 2009

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

.escritos recentes

. Era uma vez uma traça...

. "Que se eu tivesse um úni...

. Deu-me saudades...

. Há exatos quatro meses...

. Soneto XXIII - Pablo Neru...

. Soneto CXVI

. Para meu amor...

. Contos Inacabados

. Aqui eu te amo...

. Diálogo com Dona Inspiraç...

.links
blogs SAPO
.subscrever feeds